O MPDFT informa que todos os textos disponibilizados neste espaço são autorais e foram publicados em jornais e revistas.
Eles são a livre manifestação de pensamento de seus autores e não refletem, necessariamente, o posicionamento da Instituição.
Ivaldo Lemos Junior
Procurador de justiça do MPDFT
O filme A lista de Schindler não é fácil de se assistir. Conduções forçadas de pessoas aos montes, humilhações, espancamentos, fuzilamentos, gaseamentos, exumações para fins de carbonização -- nada disso é agradável, ainda mais quando inflamado por gargalhadas de boches, que depois alegariam que apenas obedeciam os superiores; ordens são ordens. O fundo musical de John Williams suaviza o desconforto das cenas, que são fictícias, mas que causam impacto idêntico aos episódios verdadeiros. Passado quase um século, o mundo ainda tem dificuldade de acreditar em tudo o que aconteceu e o cinema ajuda na absorção da realidade.
Ivaldo Lemos Junior
Procurador de justiça do MPDFT
Conheci o livro “São Bernardo”, de Graciliano Ramos, aos 11 ou 12 anos, e odiei. Meu colégio exigia a leitura de Machado, Érico, Amado, Barreto e outros grandes das letras brasileiras. Isso é excelente, mas não pode ser feito de qualquer maneira. Não é boa estratégia mandar ler a obra x ou y e dizer que a prova é no dia z. Não é assim que se desperta a paixão dos jovens pela matéria. Ao contrário. Literatura se torna motivo de uma obrigação medonha, o que vale para as demais disciplinas, matemática, biologia, geografia etc. A trajetória estudantil como um todo se transforma em uma tautologia vazia, em que passar de ano é um fim em si mesmo.