O MPDFT informa que todos os textos disponibilizados neste espaço são autorais e foram publicados em jornais e revistas.
Eles são a livre manifestação de pensamento de seus autores e não refletem, necessariamente, o posicionamento da Instituição.
Sérgio Bruno Cabral Fernandes
Promotor de justiça do MPDFT
Quando 100% não é tudo. Um grupo formado exclusivamente por pessoas honestas pode tomar uma decisão corrupta ou antiética?
Não é difícil encontrar a explicação para o porquê uma pessoa toma uma decisão errada. Intrigante, porém, é quando várias
pessoas tomam a mesma decisão errada, especialmente quando essas pessoas são tidas, a princípio, como honestas.
A palavra “errada”, aqui, significa ilícita ou antiética e não apenas uma decisão ruim. A etimologia da palavra “erro” está ligada a “perder-se”, “desviar-se do caminho”. Um erro é a violação de um conjunto de normas aceitas pela maioria. Corrupção e outros erros ocorrem porque alguém “desviou-se do caminho”.
Ivaldo Lemos Junior
Procurador de justiça do MPDFT
Paulo Honório, do romance “S. Bernardo”, de Graciliano Ramos, tinha uns 40 e poucos anos e pediu a mão de Madalena, de 20 e tantos. O enlace foi fruto de uma conveniência burguesa sinalagmática (herdeiros, estabilidade etc.), não de borbulhas apaixonadas. Mas, após uns 2 anos, ele começou a sofrer de ciúmes. Passou a acalentar um sentimento corrosivo que foi a causa da morte dela. Madalena era inocente – ou honesta, como se dizia antigamente --, e não aguentou mais ficar negando o que não existia. A versão desdemônica é contada pelo próprio Honório, depois do suicídio dela.